quarta-feira, 16 de julho de 2014

GEOGRAFIA (AP)

CONFLITOS REGIONAIS NA ORDEM GLOBAL

A natureza dos conflitos
  O século XX foi o mais violento da história da humanidade: o número de mortos em guerras e conflitos armados durante ele foi mais de três vezes maior do que nos 4 séculos anteriores. 
  A Primeira e a Segunda Guerra Mundial, ambas na primeira metade do século XX, deixaram um saldo de milhões de mortos. No contexto da Guerra Fria, muitos conflitos regionais foram incentivados e manipulados pelas superpotências (Estados Unidos e União Soviética). Além disso, o enfrentamento entre as potências coloniais europeias e os movimentos de libertação nacionais ajudou a disseminar a violência na África e na Ásia.
      Na ultima década do século XX, o encerramento da Guerra Fria resultou na diminuição do número de conflitos entre Estados. Essa tendência de declínio das guerras tradicionais, ou seja, do enfrentamento armado entre Estados soberanos, prosseguiu na primeira década do século XXI. 

Entretanto, o número de conflitos no interior dos Estados, chamados de guerras civis, aumentou. A violência ganhou novas formas e passou a atingir vítimas diferentes.
       As guerras civis decorreram da fragilidade política dos Estados, incapazes de conter as tenções entre os grupos nacionais, prover segurança ou defender o seu território.
   A fragilidade política, por sua vez, costuma ser associada à fragilidade econômica. Embora nem todos os países pobres vivam de guerra e muitos países ricos enfrentem situações de tensão, a pobreza e as desigualdades sociais certamente contribuem para o acirramento da violência. 
A Questão Palestina
   A região da Palestina foi ocupada e conquistada por muitos povos, entre eles os judeus. O povo judeu começou sua primeira dispersão pelo mundo (diáspora), e seu projeto de possuir um território somente se concretizou após a Segunda Guerra Mundial: em 1947, a ONU aprovou a criação de um Estado nacional para o povo judeu. Em 1948, votou a divisão da Palestina em dois Estados:         O Estado de Israel (judeu) recebeu 56% do território, enquanto a Palestina (árabe) ficou com 44% do território. A cidade de Jerusalém permaneceu sob admoestação internacional.
       Os povos que habitavam a Palestina, reunidos na Liga Árabe, não aceitaram a decisão da ONU, o que originou uma série de conflitos.
     Israel, em 1948, declarou sua independência, dissolvendo o Estado árabe-palestino, incorporando as terras palestinas conquistadas ao seu território e iniciando uma série de guerras com os países vizinhos. Muitos árabes-palestinos foram expulsos de seu território, formando o maior contingente de refugiados do mundo, espalhados por vários territórios e países. 
A guerra do Golfo e os curdos
      Em 1990, o Iraque invadiu o Kuait por motivos expansionistas e com o intuito de se apropriar de suas valiosas reservas petrolíferas. A ONU instaurou um embargo contra o Iraque e autorizou o uso da força para expulsar o invasor. Uma coligação liderada pelos EUA - que contava com países árabes, como a Arábia Saudita e o Egito - iniciou a Guerra do Golfo, também por motivos imperialistas e de exploração comercial.
    Essa guerra culminou com a retirada das tropas iraquianas do Kuait, em 1991. Os EUA e as forças aliadas invadiram novamente o Iraque em 2003, alegando que esse país possuía armas químicas. O Iraque foi ocupado e devastado pelos invasores - e nenhuma arma química foi encontrada.
      Como consequência da Guerra do Golfo, ocorreu a internacionalização da questão curda. Os curdos são a maior etnia sem Estado do mundo (por volta de 26 milhões de pessoas), e parte dessa população forma uma minoria no Iraque.
Caxemira
      Os confrontos entre Índia e o Paquistão têm sido violentos desde 1947, quando a região da Caxemira foi anexada a Índia a despeito da origem muçulmana da maioria da população. A população da Caxemira deseja a unificação com o Paquistão.
Afeganistão 
          No Afeganistão os conflitos duram mais de três décadas. Após a expulsão das forças de ocupação, divergências e luta pelo poder entre esses grupos étnicos armados (milícias) foram responsáveis pelo reinício dos enfrentamentos.
             Em 1995, uma facção talibã passou a dominar 90% do país, transformando-o em uma teocracia fundamentalista islâmica.
              Em 2001, os atentados nos EUA e o suposto abrigo dado pelo Afeganistão a Osama Bin Laden, motivaram uma invasão desse país pela coalizão liderada pelos EUA. A milícia talibã foi derrotada e mais uma vez milhares de civis afegãos tiveram de abandonar seus lares, dirigindo-se principalmente para o Paquistão.
DINÂMICAS DEMOGRÁFICAS
A transição européia
      Na Europa, a transição demográfica já se completou. Entre 1995 e 2000, o crescimento demográfico no continente foi de apenas 0,02% ao ano.
   De acordo com as estimativas da ONU, o contingente populacional vem apresentando taxa de crescimento vegetativo negativa desde 2000. Entretanto, em números absolutos a população tem apresentado pequena elevação. Esse fenômeno está bastante relacionado com o gema das migrações internacionais.
Teoria Malthusiana e Neomalthusiana
Malthusiana: primeira teoria populacional a relacionar o crescimento da população com a fome, afirmando a tendência do crescimento populacional em progressão geométrica, e do crescimento da oferta de alimentos em progressão aritmética. Neomalthusiana:  é uma teoria sobre o crescimento populacional que ocorreu após a década de 1950. Defendia a implantação de controle de natalidade nos países subdesenvolvidos a partir da utilização dos diversos métodos anticoncepcionais. Para os neomalthusianos, o crescimento da população provocava o atraso do crescimento econômico. 
Estrutura etária da população 
    A forma da pirâmide etária de um pais é constantemente associada ao seu grau de desenvolvimento. As pirâmides etárias referentes a países subdesenvolvidos costumam apresentar uma base larga, que reflete as altas taxas de natalidade, e um topo estreito, resultante da baixa expectativa de vida da população. Entretanto, diversos países subdesenvolvidos têm apresentado redução das taxas de natalidade e, em consequência, um estreitamento das pirâmides etárias.
MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS E NOVAS IDENTIDADES
Movimentos populacionais atuais e suas motivações 
      Desde as ultimas décadas do século XX, o número de migrantes internacionais (pessoas que vivem fora do país de origem) aumentou de forma significativa nos países mais ricos, como os da Europa e da América do Norte, embora seja comum encontrar migrantes em todas as regiões do mundo. Devido às disparidades econômicas entre os países, as pessoas mudam dos lugares mais pobres para os mais prósperos na expectativa de melhorar sua condição de vida. Por isso, as duas maiores zonas de atração de fluxos migratórios do mundo são os Estados Unidos, em primeiro lugar, e o núcleo próspero da União Europeia, em segundo lugar. Entretanto, os países com maior porcentagem de imigrantes na população estão situados no Oriente Médio.
  Além de catástrofes naturais, os conflitos religiosos ou étnicos também são responsáveis por migrações.
Novos migrantes
A estrutura das migrações tem mudado desde o final do século XX. 
• A população estrangeira em países mais desenvolvidos aumentou.
• A migração clandestina (constituída pelas pessoas que não têm residência legal nos países onde vivem) atingiu níveis sem precedentes.
• O aumento nas migrações circulares, que são caracterizadas pela volta das pessoas ao lugar de origem m - geralmente depois de um tempo trabalhando em outro país - ou por um novo deslocamento em busca de um terceiro lugar para morar ou trabalhar. 
• A formação de redes de diáspora, que fornecem ajuda (trabalho, burocracia, abrigo) a novos migrantes, facilita a migração e a vida no país de destino.
• As remessas financeiras dos quase 200 milhos de emigrados para seus países de origem geram fontes de divisas importantes para regiões bastante pobres.
• Ocorre maior feminização do processo migratório. Se no passado as mulheres migravam como membros da família, atualmente é comum mulheres migrarem sozinhas.
Desafios para os migrantes 
   Além da solidão e da frustração, os imigrantes ainda ficam sujeitos à discriminação cultural e econômica. Grande parte dos habitantes do país de destino se sente ameaçada pela concorrência da não de obra barata e tem atitudes racistas e/ou de intolerância conhecidas como xenofobia. Muitos deles chegam a se organizar em grupos ou partidos para propor a exclusão dos imigrantes. Vários conflitos têm surgido em consequência dessas atitudes.

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